sábado, 29 de janeiro de 2011

VIVER EM SALVADOR, BAHIA... DIFÍCIL


A Cidade de Salvador, Bahia, está em um momento difícil. Não falo só pela violência crescente, o que não ocorre apenas aqui, mas por alguns fatos da vida diária da cidade. Atualmente, convive-se com uma cidade tomada pelos ambulantes, de uma forma desorganizada, carros de som (aqueles que fazem propaganda) em altíssimo volume, desrespeito às leis de trânsito (o que é uma constante), carros equipados com aparelhos de som colocados no porta-malas reproduzindo músicas péssimas e de baixo nível em volume altíssimo, inclusive até altas horas da noite (após as 10h00min), sistema de transporte público deficiente e sem segurança (convive-se com constantes assaltos a ônibus), só para enumerar alguns dos principais problemas. E tudo isso, principalmente no caso dos carros de som e dos carros com som alto, sem que nenhuma providência seja tomada pelas autoridades ambientais, pois se trata de poluição sonora. Além disso, supostos “artistas” e “bandas”, apoiados pela mídia, “cantam” “músicas” com letras claramente ofensivas, com palavrões e pornografias declaradas, como se o respeito e a ética não existissem mais para ninguém. Novamente, tudo isso sob o beneplácito das autoridades.
Até quando as pessoas que ainda prezam a ética, o respeito e a dignidade terão que suportar isso? Até quando as autoridades permitirão isso, sob a máscara da “liberdade de expressão”?
Está muito difícil viver em Salvador.
Cid Bastos

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

EU ACUSO!

Esse interessante e oportuno texto foi divulgado, por e-mail, pela amiga Telma Sarraf. Pelo seu importante conteúdo, resolvi postá-lo aqui. Reflitamos sobre ele.

J’ACUSE !!!
(Eu acuso!)
(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)
Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.
(Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio.. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, professoras brutalmente espancadas por aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro. O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática. No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.” Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno–cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”. Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos” e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estarem;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade, amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, pois o que se  deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeças–boas” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição;
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
    Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos-clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia. Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”. A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto:
“Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor.
Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão.
Se me drogo, a culpa é dos meus pais.
Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema.
Eu sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima.
O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida.
Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva.
Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci.
Portanto, você pode ser o próximo.”
    Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PENSAMENTOS...PENSAMENTOS


Evoluir é superar desafios.

Existo, logo, evoluo!

A evolução não é mais uma teoria, é um fato.

O pensamento é o fulcro da vida.

Se a realidade é a essência das coisas, então, ainda não conhecemos a realidade.

A liberdade não está naquilo que podemos fazer, mas no que eticamente devemos fazer.

Uma vida sem ideal, sinceramente, não é a vida ideal.

Sintonizamos com aquilo que pensamos; portanto, devemos pensar com o que sintonizamos.

Somos construtores do nosso próprio destino, do nosso futuro. Mas, será que estamos utilizando as ferramentas corretas ou as estamos utilizando corretamente?

Somos aquilo que pensamos, mas, será que pensamos no que somos?

Procuremos viver como as flores, para que possamos multiplicar as oportunidades que recebemos.

A liberdade não está naquilo que podemos fazer, mas no que eticamente devemos fazer.

A infância é a chegada...a juventude é a experimentação...a velhice é uma conquista!

Cid Bastos

sábado, 8 de janeiro de 2011

VIVER COMO AS FLORES


Em um antigo mosteiro budista, um jovem monge questiona o mestre:  
− Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes, muitas são indiferentes. Sinto ódio das mentirosas e sofro com as que caluniam.
− Pois viva como as flores, orientou o mestre.  
− E como é viver como as flores? Perguntou o discípulo.  
− Repare nas flores, falou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim.
− Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem, do adubo malcheiroso, tudo que lhes é útil e saudável... mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.  
− É justo inquietar-se com as próprias imperfeições, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o perturbem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
− Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Isso é viver como as flores.  
Autor desconhecido.

A ÉTICA, A LIBERDADE E O DESPAUTÉRIO

O comportamento do ser humano, no curso de sua evolução, foi sempre pautado no egoísmo, na competitividade, na maioria das vezes sem a devida ética e responsabilidade. É certo que nos primórdios de sua evolução, tal comportamento foi necessário para garantir a sobrevivência; preponderava, nessa fase, o instinto. Com o paulatino desenvolvimento da razão, foi-se aprimorando as relações familiares e sociais, embora ainda predominasse o comportamento egoístico. O domínio da tecnologia corria célere, mas, quase sempre, sem e devida ética. É certo que progressos de vulto foram alcançados, nas relações familiares, sociais e trabalhistas, com legislações que beneficiaram a sociedade humana. Porém, a ética, o uso da liberdade com responsabilidade, o altruísmo e o respeito pelas leis e nas relações humanas, não alcançaram o mesmo patamar de desenvolvimento e compreensão. Portanto, ética e moral não se desenvolveram concomitantemente com a evolução tecnológica. Hoje, o Homem é mais tecnológico do que ético.
Mas, afinal, o que é a ética?
A ética é uma palavra de origem grega (ethos), que significa “modo de ser, caráter, comportamento” e, segundo a maioria das definições, “pode ser um conjunto de regras e princípios que guiam o comportamento humano”. Para alguns, teria o mesmo significado de moral, portanto, seria um sinônimo desta.
Embora as definições e conceitos para “ética” e “moral”, eu as entendo e conceituo do seguinte modo: a moral é o conjunto de virtudes (atitudes que levam ao engrandecimento do ser humano) ínsito na personalidade humana, enquanto que a ética é a aplicação da moral nos relacionamentos. Infelizmente, a moral, para a maioria das pessoas, ao menos no Brasil, tem conotação de “tabu”, “coisa ligada às religiões”, “resquício do regime militar”, “algo que lembra a censura”, o que é um grande equívoco. O resultado disso é a ausência, ou quase assim, do comportamento ético nos relacionamentos.
Considerando o comportamento, ética e liberdade não podem estar dissociadas, uma vez que a liberdade não está naquilo que podemos fazer, mas no que eticamente devemos fazer. Isso implica em fazer uso da liberdade com responsabilidade; é a medida certa entre o seu direito e o do próximo. Só o comportamento ético poderá lhe dar esse juízo. No centro disso tudo, está o egoísmo! Ele o gerador de, praticamente, todas as mazelas que derivam de um comportamento sem ética. Portanto, para ser ético é necessário que se desenvolva o altruísmo, porque se assim não for, trata-se apenas de jogo de interesses, de aparência. O altruísmo lhe dará a medida certa entre o que você pode fazer e o que você deve fazer, porque você deverá analisar no que a sua atitude poderá resultar, em relação ao próximo, à sociedade e a você mesmo; é exatamente o “fazer ao próximo o que gostaria que ele lhe fizesse”.
Depreende-se disso que o atual despautério que se observa na cultura, na arte, enfim, nas atitudes de um modo geral, resulta de um comportamento sem ética, do uso da liberdade sem responsabilidade, o que significa libertinagem. Isso, portanto, o que se chama de “inversão de valores”, ou seja, valoriza-se o que eticamente não é correto, o que nada acrescenta ao crescimento do ser humano, enquanto se vai perdendo a noção de limites, do respeito, da dignidade, da ética.
Até quando? Para onde vamos? Só cada um de nós, após uma auto-análise sincera, na procura do autodescobrimento, poderá responder.

Cid Bastos

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

FAZER CIÊNCIA: COMO, POR QUE E PARA QUE?

Idéia central:

Fazer Ciência é, sobretudo, conhecer, cuja finalidade é produzir e repassar esse conhecimento.


A questão é:

Como fazer?

Por que fazer?

Para que fazer?

Diretrizes

A Ciência não é mercadológica; a Ciência é natural.
Fazer Ciência é, sobretudo, pensar em Ciência.
Pensar Ciência é a eterna busca do conhecer.
A Ciência não é meramente um trabalho, mas este é conseqüência daquela.
Para se fazer Ciência, é necessário ter o impulso interno, ou seja, o desejo inato da busca do conhecer, do deduzir, do executar e do divulgar, com satisfação interior.
Fazer Ciência não é ter um emprego, mas um objetivo de vida. É compartilhar esse objetivo, estimulando a outrem a fazer e sentir Ciência. Portanto, todo conhecimento deve ser repassado, compartilhado.
Fazer Ciência é vivenciar o conhecimento, desde quando este não pode ser criado, ele já existe; e não se vivencia algo sem o compartilhar.
A Ciência é livre, e livre é todo aquele que faz Ciência. Mas, liberdade implica em ética, responsabilidade, honestidade e altruísmo.

Aquisições

Verdadeiro significado da vida.
Desenvoltura no deduzir, concluir e no expor.
Responsabilidade e ética naquilo que faz.
Ímpeto de compartilhar sempre, tornando o conhecimento livre como ele é, e não prisioneiro de seu próprio ego, o que é um grande equívoco. Pois aquele que pensa que tem só para si, na verdade nada tem, pois não compreende verdadeiramente o que tem, tornando-se vazio interiormente.

Cid Bastos