sábado, 29 de janeiro de 2011

VIVER EM SALVADOR, BAHIA... DIFÍCIL


A Cidade de Salvador, Bahia, está em um momento difícil. Não falo só pela violência crescente, o que não ocorre apenas aqui, mas por alguns fatos da vida diária da cidade. Atualmente, convive-se com uma cidade tomada pelos ambulantes, de uma forma desorganizada, carros de som (aqueles que fazem propaganda) em altíssimo volume, desrespeito às leis de trânsito (o que é uma constante), carros equipados com aparelhos de som colocados no porta-malas reproduzindo músicas péssimas e de baixo nível em volume altíssimo, inclusive até altas horas da noite (após as 10h00min), sistema de transporte público deficiente e sem segurança (convive-se com constantes assaltos a ônibus), só para enumerar alguns dos principais problemas. E tudo isso, principalmente no caso dos carros de som e dos carros com som alto, sem que nenhuma providência seja tomada pelas autoridades ambientais, pois se trata de poluição sonora. Além disso, supostos “artistas” e “bandas”, apoiados pela mídia, “cantam” “músicas” com letras claramente ofensivas, com palavrões e pornografias declaradas, como se o respeito e a ética não existissem mais para ninguém. Novamente, tudo isso sob o beneplácito das autoridades.
Até quando as pessoas que ainda prezam a ética, o respeito e a dignidade terão que suportar isso? Até quando as autoridades permitirão isso, sob a máscara da “liberdade de expressão”?
Está muito difícil viver em Salvador.
Cid Bastos

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PENSAMENTOS...PENSAMENTOS


Evoluir é superar desafios.

Existo, logo, evoluo!

A evolução não é mais uma teoria, é um fato.

O pensamento é o fulcro da vida.

Se a realidade é a essência das coisas, então, ainda não conhecemos a realidade.

A liberdade não está naquilo que podemos fazer, mas no que eticamente devemos fazer.

Uma vida sem ideal, sinceramente, não é a vida ideal.

Sintonizamos com aquilo que pensamos; portanto, devemos pensar com o que sintonizamos.

Somos construtores do nosso próprio destino, do nosso futuro. Mas, será que estamos utilizando as ferramentas corretas ou as estamos utilizando corretamente?

Somos aquilo que pensamos, mas, será que pensamos no que somos?

Procuremos viver como as flores para que possamos multiplicar as oportunidades que recebemos.

A liberdade não está naquilo que podemos fazer, mas no que eticamente devemos fazer.

A infância é a chegada, a juventude é a experimentação, e a velhice é uma conquista!Cid Bastos

sábado, 8 de janeiro de 2011

VIVER COMO AS FLORES


Em um antigo mosteiro budista, um jovem monge questiona o mestre:  
− Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes, muitas são indiferentes. Sinto ódio das mentirosas e sofro com as que caluniam.
− Pois viva como as flores, orientou o mestre.  
− E como é viver como as flores? Perguntou o discípulo.  
− Repare nas flores, falou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim.
− Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem, do adubo malcheiroso, tudo que lhes é útil e saudável... mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.  
− É justo inquietar-se com as próprias imperfeições, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o perturbem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
− Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Isso é viver como as flores.  
Autor desconhecido.

A ÉTICA, A LIBERDADE E O DESPAUTÉRIO

O comportamento do ser humano, no curso de sua evolução, foi sempre pautado no egoísmo, na competitividade, na maioria das vezes sem a devida ética e responsabilidade. É certo que nos primórdios de sua evolução, tal comportamento foi necessário para garantir a sobrevivência; preponderava, nessa fase, o instinto. Com o paulatino desenvolvimento da razão, foi-se aprimorando as relações familiares e sociais, embora ainda predominasse o comportamento egoístico. O domínio da tecnologia corria célere, mas, quase sempre, sem e devida ética. É certo que progressos de vulto foram alcançados, nas relações familiares, sociais e trabalhistas, com legislações que beneficiaram a sociedade humana. Porém, a ética, o uso da liberdade com responsabilidade, o altruísmo e o respeito pelas leis e nas relações humanas, não alcançaram o mesmo patamar de desenvolvimento e compreensão. Portanto, ética e moral não se desenvolveram concomitantemente com a evolução tecnológica. Hoje, o Homem é mais tecnológico do que ético.
Mas, afinal, o que é a ética?
A ética é uma palavra de origem grega (ethos), que significa “modo de ser, caráter, comportamento” e, segundo a maioria das definições, “pode ser um conjunto de regras e princípios que guiam o comportamento humano”. Para alguns, teria o mesmo significado de moral, portanto, seria um sinônimo desta.
Embora as definições e conceitos para “ética” e “moral”, eu as entendo e conceituo do seguinte modo: a moral é o conjunto de virtudes (atitudes que levam ao engrandecimento do ser humano) ínsito na personalidade humana, enquanto que a ética é a aplicação da moral nos relacionamentos. Infelizmente, a moral, para a maioria das pessoas, ao menos no Brasil, tem conotação de “tabu”, “coisa ligada às religiões”, “resquício do regime militar”, “algo que lembra a censura”, o que é um grande equívoco. O resultado disso é a ausência, ou quase assim, do comportamento ético nos relacionamentos.
Considerando o comportamento, ética e liberdade não podem estar dissociadas, uma vez que a liberdade não está naquilo que podemos fazer, mas no que eticamente devemos fazer. Isso implica em fazer uso da liberdade com responsabilidade; é a medida certa entre o seu direito e o do próximo. Só o comportamento ético poderá lhe dar esse juízo. No centro disso tudo, está o egoísmo! Ele o gerador de, praticamente, todas as mazelas que derivam de um comportamento sem ética. Portanto, para ser ético é necessário que se desenvolva o altruísmo, porque se assim não for, trata-se apenas de jogo de interesses, de aparência. O altruísmo lhe dará a medida certa entre o que você pode fazer e o que você deve fazer, porque você deverá analisar no que a sua atitude poderá resultar, em relação ao próximo, à sociedade e a você mesmo; é exatamente o “fazer ao próximo o que gostaria que ele lhe fizesse”.
Depreende-se disso que o atual despautério que se observa na cultura, na arte, enfim, nas atitudes de um modo geral, resulta de um comportamento sem ética, do uso da liberdade sem responsabilidade, o que significa libertinagem. Isso, portanto, o que se chama de “inversão de valores”, ou seja, valoriza-se o que eticamente não é correto, o que nada acrescenta ao crescimento do ser humano, enquanto se vai perdendo a noção de limites, do respeito, da dignidade, da ética.
Até quando? Para onde vamos? Só cada um de nós, após uma auto-análise sincera, na procura do autodescobrimento, poderá responder.

Cid Bastos

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

FAZER CIÊNCIA: COMO, POR QUE E PARA QUE?

Idéia central:

Fazer Ciência é, sobretudo, conhecer, cuja finalidade é produzir e repassar esse conhecimento.


A questão é:

Como fazer?

Por que fazer?

Para que fazer?

Diretrizes

A Ciência não é mercadológica; a Ciência é natural.
Fazer Ciência é, sobretudo, pensar em Ciência.
Pensar Ciência é a eterna busca do conhecer.
A Ciência não é meramente um trabalho, mas este é conseqüência daquela.
Para se fazer Ciência, é necessário ter o impulso interno, ou seja, o desejo inato da busca do conhecer, do deduzir, do executar e do divulgar, com satisfação interior.
Fazer Ciência não é ter um emprego, mas um objetivo de vida. É compartilhar esse objetivo, estimulando a outrem a fazer e sentir Ciência. Portanto, todo conhecimento deve ser repassado, compartilhado.
Fazer Ciência é vivenciar o conhecimento, desde quando este não pode ser criado, ele já existe; e não se vivencia algo sem o compartilhar.
A Ciência é livre, e livre é todo aquele que faz Ciência. Mas, liberdade implica em ética, responsabilidade, honestidade e altruísmo.

Aquisições

Verdadeiro significado da vida.
Desenvoltura no deduzir, concluir e no expor.
Responsabilidade e ética naquilo que faz.
Ímpeto de compartilhar sempre, tornando o conhecimento livre como ele é, e não prisioneiro de seu próprio ego, o que é um grande equívoco. Pois aquele que pensa que tem só para si, na verdade nada tem, pois não compreende verdadeiramente o que tem, tornando-se vazio interiormente.

Cid Bastos

UM CONCEITO FILOSÓFICO DE ESPÉCIE

O que é a realidade? O que é a matéria?
O que temos no mundo concreto são, realmente, objetos reais? Ou uma representação oriunda de princípios organizadores específicos, condicionados pelo ambiente planetário? A realidade seria a essência das coisas, e não a coisa em si. Se a realidade é a essência das coisas, então, ainda não conhecemos a realidade! Prova disso é que os objetos, ou seja, as coisas concretas podem ser alteradas em sua forma (representação), embora não em sua essência. A essência ainda é, para nós, não palpável nas dimensões vibracionais que nos encontramos nesse momento evolutivo.
A matéria é uma realidade ou uma representação? Por exemplo, rocha, água, montanha são objetos constituídos de matéria, mas não são matérias, mesmo porque a matéria é única, o que varia são os seus diversos estados de organização ou de entropia. A matéria só é palpável aos nossos sentidos quando é transformada e torna-se um objeto do mundo concreto; fora isso, nós apenas idealizamos o que seja matéria, pois quando os seus constituintes estão em organização livre (estado com maior entropia), não os percebemos. Portanto, ela só adquire uma forma quando está organizada em princípios específicos, momento em que nós a percebemos. Assim, os objetos são palpáveis e ponderáveis, mas não a matéria!
Pelo exposto, podemos deduzir que não nos é possível ver a matéria, apenas os objetos, ou seja, as suas formas ou níveis de organização. Mesmo assim, o que vemos realmente é a luz refletida pelo objeto, quer dizer, as radiações eletromagnéticas nos comprimentos de onda que podem impressionar nossos receptores (olhos) e transformados no cérebro, em imagens. Tanto é assim que se tivermos algum problema com os nossos olhos, os raios de luz não são captados corretamente e teremos os diversos problemas de visão, tratados, na maioria dos casos, com próteses corretivas (lentes). Assim, o que vemos não são os objetos em si mesmos, mas a luz ou radiação eletromagnética refletida (cores). Vemos sempre a superfície, e não a essência!
Podemos considerar que não temos ainda condições de definir o que é matéria; apenas conceituamos e, mesmo assim, de uma forma generalizada e superficial; devemos ter em mente que o conceito tradicional e antigo de matéria já não se aplica, considerando os conhecimentos da física quântica. O que tentamos definir ou conceituar é apenas uma forma ou nível de organização da matéria, e não a matéria em si. A dualidade matéria- energia é expressa na dualidade partícula-onda da luz, que em determinadas condições apresenta propriedades ondulatórias e, em outras, propriedades corpusculares. Por isso, é sempre possível transformar matéria em energia, e vive-versa, só que sabemos bem o que acontece quando convertemos de modo acelerado, matéria em energia... Exemplos de explosões atômicas por fissão nuclear são bem conhecidos. Matéria e energia, portanto, são estados dinâmicos, vibracionais, de uma mesma coisa, a qual nós não sabemos, em essência, o que é exatamente. Podemos, então, conceituar matéria, muito primariamente, como energia em estado vibracional muito baixo, ou seja, de menor entropia.
Nós, humanos, tendemos sempre a organizar os objetos de acordo com certos princípios que escolhemos, critérios que elegemos, os quais estão de acordo com as nossas concepções de organização; daí classificamos os objetos obedecendo a esses princípios e critérios. Esses os fundamentos de um sistema de classificação; portanto, nenhum sistema é correto ou errado, simplesmente expressam o que nós concebemos como factíveis de serem organizados, consoante nossos princípios e critérios.
Mas, o que tudo isso importa à discussão sobre um conceito de espécie? Tudo, eu diria. A começar pelo fato de que tratamos de “conceito” (concepção sobre uma coisa; conceber uma idéia). Seria, então, a espécie uma idéia? Ou uma entidade real? Seria um conceito ligado à individualidade ou à coletividade? Se ligado à individualidade, um indivíduo eucarionte seria mesmo, uma individualidade? Isso porque nem sempre o que percebemos no mundo concreto corresponde à sua realidade, ou seja, à sua essência. Para esta análise, é imprescindível que façamos uma abordagem rápida sobre a origem dos eucariontes.
Posso começar afirmando, consoante as mais recentes investigações da Ciência, que a célula eucariótica é uma quimera, resultante de um processo de endossimbiose entre duas células procarióticas (bactéreias). Essa situação amplia-se mais ainda quando essa célula eucariótica adquire a capacidade de utilizar o oxigênio como receptor final de elétrons na cadeia respiratória, capacidade esta realizada pelas mitocôndrias. E o que são as mitocôndrias, senão bactérias que foram modificadas evolutivamente após o processo de endossimbiose entre uma célula eucariótica e uma bactéria com metabolismo aeróbico. Para complexar ainda mais, uma célula eucariótica heterotrófica (ou seja, incapaz de sintetizar moléculas orgânicas complexas a partir de substâncias inorgânicas) pode ter capturado uma cianobactéria (tipo de bactéria capaz de fotossintetizar, ou seja, produzir moléculas orgânicas a partir de substâncias inorgânicas, utilizando a luz como fonte energética primária – seres autotróficos), dando origem aos plastídios, pelo processo de endossimbiose. Na verdade, as algas vermelhas (Rhodophyta), as Glaucophyta, as algas verdes (Chlorophyta) e as Streptophyta (algas carofíceas e as embriófitas) obtiveram seus plastídios através desse processo de endossimbiose, denominado endossimbiose primária (o endossimbionte seria uma cianobactéria). Outras algas (Chromalveolata, Haptophyta, Cryptophyta) obtiveram seus plastídios a partir da endossimbiose entre uma alga rodofícea (o endossimbionte, ou seja, aquele que foi capturado é uma rodofícea) e um eucarionte heterotrófico aeróbico, e outras ainda (Euglenídias e Chlorarachniophyta) adquriram os seus palstpidios através da endossimbiose entre uma alga clorófita (que seria o endossimbionte, ou seja, o organismo capturado) e um eucarionte heterotrófico aeróbico, em ambos os casos o processo denomina-se endossimbiose secundária; pode, ainda, ocorrer um processo de endossimbiose terciária entre duas algas com plastídios secundários ou entre um eucarionte heterotrófico e uma alga com plastídio secundário.
Dessa forma, as células eucarióticas heterotróficas e as células das algas e das embriófitas têm genes de diversas origens, e organelas responsáveis pelo metabolismo energético que teriam surgido a partir de bactérias, cianobactérias e outras algas. Assim, não poderiam ser, estritamente, indivíduos, desde que foram formadas a partir de individualidades geneticamente diferentes; mas, propriamente, poderiam ser denominadas de organismos, na falta de um termo melhor para expressar essa situação. Na verdade, as células eucarióticas heterotróficas e as autotróficas seriam uma “comunidade genética”. Nesse nível de discussão, não nos importa o nível de organização do organismo, se unicelular ou pluricelular.
A espécie é um organismo em evolução e, como tal, não podemos delimitá-la, apenas concebê-la. Portanto, a espécie é uma concepção ou idéia. O que identificamos em laboratório, usando α-taxonomia, são as expressões morfológicas desse ente que está em constante mudança (em evolução), mais ou menos perceptível; daí as pequenas variações morfológicas e os polimorfismos. Na verdade, o que chamamos de “espécie”, é o produto da seleção natural em um dado intervalo de tempo; conclui-se, assim, que o que chamamos de “espécie”, ou seja, organismo, na verdade é o seu momento evolutivo. Assim, o que existe em a Natureza não são espécies, mas grupos de organismos que reúnem características genéticas derivadas de um único ancestral mais recente, ou seja, populações. No entanto, lembremos que esse ancestral comum, ele mesmo não é uma individualidade, mas uma comunidade genética, uma vez que sua célula ou suas células são o produto de genes de diferentes linhagens. Portanto, não podemos definir espécie, no modelo biológico atual.

Cid Bastos

domingo, 2 de janeiro de 2011

APONTAMENTOS SOBRE A QUESTÃO DOS DIREITOS E DEVERES. UMA REFLEXÃO

Fazendo um mergulho na consciência observaremos que o único direito adquirido, natural, é o direito à vida, pois sobre ela nós não temos jurisdição. Os demais direitos, esses são conquistados à medida que cumprimos com os nossos deveres. Portanto, o direito é uma conseqüência do dever retamente cumprido. Qualquer desvio desse percurso natural é privilégio. E, caros amigos, não existem privilégios no concerto universal. Cada quantum de energia, partícula subatômica, átomo, molécula, célula, tecido, órgão, organismo cumpre os seus deveres, ou seja, realizam as funções para as quais foram destinados, determinadas pelas propriedades intrínsecas a cada um, para que a vida, a evolução siga o seu curso harmônico, e harmonia é o vir-a-ser, o processo evolutivo. Nós, como biólogos, sabemos o que acontece ao nível do organismo, quando uma célula ou grupo de células deixam de cumprir as suas funções, os seus deveres: sobrevêm as doenças, tanto mais graves quanto maiores forem os desvios de função.
Transportando isso para a sociedade humana, para que haja harmonia é necessário que cada um cumpra com os seus deveres, ou seja, exerçam as suas funções, sem desvios, e não surjam as doenças sociais. Temos sobejos exemplos das desarmonias sociais, que no âmago das causas estão os privilégios, ou seja, os desvios do dever, portanto, desvios de função, no afã de se conseguir ou de se obter “direitos”, ou o que cada um acha “justo” possuir. Tivesse cada um cumprido retamente com os seus deveres e o organismo social não estaria doente como está. Os fatores de desarmonia e desagregação social, por conta dos desvios de função, ou seja, do não cumprimento dos deveres, são fáceis de enumerar: o egoísmo (os direitos são meus!), a intolerância (outros não devem ter esses direitos!), a prepotência (os direitos, eu os tenho!), a injustiça (direitos, só para alguns!), a discriminação sobre qualquer aspecto considerada (apenas algumas classes devem ter esses direitos!). Devemos notar que todos esses fatores de desarmonia social são reflexos de um único pensamento: eu tenho direito! Mas, os deveres? Se pensássemos nos deveres saberíamos que teríamos os direitos se cumpríssemos com os nossos deveres. Igualdade de direitos é uma conquista, desde que tenhamos igualdade de deveres. A vida não aceita enganos, subterfúgios e, mais cedo ou mais tarde, ela cobra o débito, pois a cada desarmonia, cada desequilíbrio tem que ser reajustado, uma vez que a evolução não pode ser interrompida. São essas, pois, as causas do sofrimento: reajustes para o equilíbrio, para que a vida, no seu curso evolutivo, prossiga.
A liberdade é uma propriedade emergente dos deveres retamente cumpridos, ou seja, sem enganos. Vive-se hoje uma crise ética em que a liberdade é confundida, ou melhor, substituída, pela libertinagem, filha dos deveres não cumpridos, portanto, da aquisição indébita dos direitos, ou do que se pensa seja os “direitos”. A liberdade pressupõe responsabilidade, enquanto que a libertinagem foca-se na irresponsabilidade, ou seja, no primeiro caso “o que devemos fazer”, e no segundo caso “o que queremos fazer”. É uma questão de ética, de consciência. Novamente a vida cobrará o débito, o saldo negativo da proporção entre dever e direito.
Nós que exercemos a função de professores-pesquisadores somos, acima de tudo, educadores. Contudo, a função “educar” não é uma profissão, é um dever. E educação é o conjunto de normas éticas pautadas nos valores morais. Devemos nos educar e educar pelo exemplo de vida, pela nossa conduta.  Se nós exercemos um cargo na área de ensino, de pesquisa, ou de ensino e pesquisa, não podemos ignorar esse fato: educamos ou deseducamos de acordo com a nossa conduta. Se não dermos o exemplo de responsabilidade que devemos ter com as nossas tarefas, nossas funções e estilo de vida, “cumprindo com os nossos deveres para que mereçamos os nossos direitos” (citação de Raul Teixeira), estamos transmitindo a mensagem aos nossos alunos ou não, de não cumprimento dos deveres, portanto, deseducando-os. A nossa conduta representa aquilo que somos, o que pensamos, o nosso grau de consciência, a nossa ética e os nossos valores morais.
A questão trabalhista é uma questão ética. Por que trabalhamos? Para ter uma remuneração? O trabalho é um direito conquistado pelo cumprimento do dever de contribuirmos para o desenvolvimento humano e social. Trabalha-se para se ter dignidade, crescimento como ser humano, como partícipe da construção de uma sociedade harmônica. A remuneração é uma conseqüência e não o objetivo do trabalho, que deve ser o de crescimento pessoal e social. E essa conquista, o trabalho, esse direito, ainda não foi conquistado por todos devido ao organismo social encontrar-se doente, porque visa em primeiro lugar os direitos sem cumprir corretamente e dignamente com os deveres.
Com essas reflexões pensemos no nosso papel social, como Professores, Pesquisadores, de como fazer Ciência e de como podemos contribuir para o nosso crescimento e, por conseguinte, da sociedade.

Cid Bastos